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A proibição de animais no quarto pode reduzir
o risco da Doença de Chagas, afirmam Pesquisadores da Science

Manter galinhas e especialmente cães fora do quarto pode ajudar a reduzir o risco de infecção fatal da doença de Chagas nas áreas rurais da América Central e do Sul, de acordo com um novo relato na edição de 27 de Julho da revista internacional, Science.

O estudo é o primeiro modelo matemático da infecção da doença de Chagas a usar dados de famílias individuais em comunidades, diz o autor principal Joel E. Cohen da Rockefeller University e da Columbia University.

A doença de Chagas, ou tripanosomiase americana, é uma infecção crônica, freqüentemente fatal, causada pelo Trypanosoma cruzi, primo americano do parasita africano da doença do sono. O T. cruzi é transmitido através das fezes de insetos alimentados por sangue chamados triatominos, comumente conhecidos como insetos "que picam" ("kissing"), insetos "de bico em cone" ("cone-nosed"), vinchuca, ou barbeiro.

De acordo com a World Health Organization (Organização Mundial da Saúde - OMS), 16 a 18 milhões de pessoas desde o México até a Argentina, são infetadas pela doença de Chagas e outras 100 milhões, ou 25 por cento da população da região, estão em risco de infecção. A infecção é para toda a vida e pode provocar doença cardíaca fatal.

Embora haja programas de pulverização de inseticida em todo o país e da triagem de sangue na América Latina, a doença de Chagas continua sendo um "obstáculo grave à saúde e ao desenvolvimento econômico," especialmente para a população carente da área rural, diz os autores do estudo Cohen e Ricardo E. Gürtler da Universidad de Buenos Aires.

Para melhor entender como o parasita T. cruzi é transmitido nas áreas rurais, Cohen e Gürtler criaram um modelo matemático baseado em dados de famílias de três vilas rurais no noroeste da Argentina. O modelo analisa as flutuações sazonais nas populações de parasitas e insetos de casas, e sua relação com os números de humanos, galinhas e cães que vivem em uma casa.

Os dados coletados pela equipe de pesquisa de campo mostram que as pessoas, galinhas e cães na vilas estudadas, todos dormem dentro de casa durante a primavera, e as galinhas ficam dentro de casa para evitar que sejam roubadas ou atacadas por animais predatórios. Como as galinhas fornecem a maioria das refeições de sangue para os insetos, a população de insetos que vivem dentro das casas começa a crescer e atinge um máximo no verão.

Embora as galinhas não possam ser infectadas com o T. cruzi, elas são uma fonte significativa para os insetos. Assim, elas podem contribuir para a população geral do parasita aumentando o número de insetos disponíveis que podem se alimentar dos membros de casas infetadas, como os cães e as pessoas.

Depois das galinhas, os insetos que se alimentam de sangue preferem alimentar-se de sangue de cães - dando preferência aos cães quase que duas vezes mais do que aos humanos - e os cães infetados são muito mais infectuosos aos insetos do que os humanos infetados. Considerando isso, o modelo matemático prediz que ter dois cães domésticos infetados em uma casa habitada por cinco pessoas é provavelmente a "pior coisa que as famílias podem fazer" em termos de aumentar a população de T. cruzi, afirmam os autores.

O estudo observa que a remoção de cães infectados de uma casa é suficiente para eliminar praticamente a transmissão do parasita, impedindo a reintrodução de cães, galinhas ou insetos infectados.

Os pesquisadores da Science sugerem que esses achados podem ser usados em conjunto com os programas de inseticidas e materiais de construção apropriados - que reduzem o número de insetos domésticos - para reduzir o índice de infecção de Chagas.

"Os programas de pulverização em nível nacional na América Latina merecem muito crédito, mas as verbas nesses países nem sempre são suficientes para manter a pulverização. Pode levar dez anos para realizar a pulverização de todas as vilas rurais, mas só leva três a cinco anos para que os insetos recolonizem totalmente essas casas," diz Cohen.

Cohen espera que os governos, antropólogos e educadores de saúde possam ajudar a difundir a mensagem de que manter animais domésticos fora de ambientes de dormir fechados pode reduzir a prevalência do parasita de Chagas em insetos e o risco de infecção em humanos.

O pesquisadores da Science também sugerem que o seu modelo familiar em toda a comunidade poderá ser usado para avaliar como a propagação de outras doenças, como a malária ou leishmaniose, pode ser afetada pelo contato íntimo com animais domesticados.


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Esta pesquisa contou com o apoio parcial da Rockefeller Foundation, NSF, Universidad de Buenos Aires, os programas Fulbright e Thalmann, e a CONICET da Argentina.

Spanish translation of the press release
English translation of the press release

-- Becky Ham

 
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